milagres
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O reconhecimento dos milagres em Lourdes
Duas instituições científicas e uma eclesiástica analisam cada caso.Mais de seis milhões de peregrinos visitam todos os anos a pequena localidade de Lourdes, no sul da França, conhecida em todo o mundo pelos milagres que com freqüência ali são registrados.
A Igreja Católica reconheceu oficialmente 67 milagres e cerca de 7.000 curas inexplicáveis após as aparições da Virgem Maria em Lourdes (11 de fevereiro de 1858), segundo constata o livro “O médico ante os milagres” (”Il medico di fronte ai miracoli”, Editorial São Paulo), redigido pela Associação de Médicos Italianos.
Na obra colaborou o doutor Patrick Thiellier, diretor do “Bureau Medical”, o Escritório Médico criado no Santuário para examinar cientificamente os supostos casos de cura. Em 1905 Papa Pio X pediu que todos os casos de supostos milagres ou curas registrados em Lourdes fossem analisados de maneira científica.
O Escritório MédicoO Escritório Médico explica em sua página web (http://www.lourdes-france.com) que seu objetivo é o de poder declarar uma cura “segura, médica e definitivamente inexplicável”. Para isso, aplicam-se quatro critérios: “que o diagnóstico da enfermidade seja perfeitamente claro”; “que o prognóstico seja permanente ou terminal, em breve prazo”; “”que a cura seja súbita, sem convalescência, de golpe e duradoura”; “quem nenhum tratamento possa considerar-se como causa dessa cura nem sequer que a tenha favorecido”.
Os enfermos que vão a Lourdes em grupo, acompanhados de ao menos um médico, vêm com um expediente médico que descreve seu estado. Esse expediente serve de base de trabalho quando um peregrino declara ter sido curado. Em caso de que se dê uma cura milagrosa, o expediente e o peregrino curado são apresentados no Escritório Médico, ou seja, ao médico permanente de Lourdes e a todos os médicos presentes naquele dia e que desejem participar desse exame.
O exame é feito seguindo um questionário preciso. Ao terminar esse exame, não se chegará a conclusão definitiva alguma. A pessoa curada será convidada a apresentar-se diante da comissão no ano seguinte ou em anos seguintes.
O Comitê Médico InternacionalSe os diferentes exames resultarem favoráveis, o caso de cura será enviado ao Comitê Médico Internacional.Esta segunda instância foi criada em 1947 e está composta por cerca de 30 especialistas, cirurgiões, professores ou convidados de diversos países que se reúnem uma vez por ano.
Como em um tribunal de apelação, o Comitê Médico confirma ou rejeita a postura tomada pelo Escritório Médico em «primeira instância».O voto final sobre a investigação propõe três opções: a rejeição, a aceitação definitiva do sujeito como curado excepcionalmente, ou a decisão de esperar para completar a investigação. As decisões devem ser tomadas por ampla maioria. Em caso de que seja aprovada, será conhecida como “medicamente inexplicável”.
Exame da Igreja
Isto não significa que se trata de um milagre. Para que se dê esta declaração, se requer o estudo do caso por parte da Igreja. O expediente é confiado ao bispo do lugar onde reside a pessoa curada, quem deve criar uma comissão diocesana formada por sacerdotes, canonistas e teólogos. As normas que ditam a conduta da comissão são as determinadas em 1734 pelo futuro Papa Benedito XIV em seu tratado: “Da beatificação e da canonização dos servos de Deus” (Livro IV, parte 1a capítulo VIII, no 2).Esta comissão deve garantir que não encontre para a cura explicação alguma válida, médica, científica ou natural.
Em seguida, corresponde ao bispo pronunciar-se de forma definitiva. Depois de ter invocado o Espírito Santo, declarará milagrosa ou não milagrosa a cura.
Sacerdote ortodoxo romeno e sua paróquia se tornam católicos após milagre
28.11.2007 – Após cura de sua mãe de um tumor inoperável por intercessão de São Pio de Pietrelcina.PESCENA – Enquanto na Itália se intensificava o debate sobre os estigmas do Padre Pio, em um povoado da Romênia se punha a primeira pedra da primeira igreja dedicada ao santo de Pietrelcina, em um dos países que até pouco tempo girava em torno da União Soviética.
O evento, segundo informou Renzo Allegri à Zenit, aconteceu no povoado de Pesceana, comarca de Valcea, na Romênia centro-meridional, graças ao Pe. Victor Tudor, sacerdote romeno que, até alguns anos atrás, era ortodoxo, mas que, após conhecer a existência do Padre Pio e ser testemunha de um grande milagre, realizado por Deus po r intercessão do santo capuchinho, quis entrar na Igreja Católica e com ele todos os seus paroquianos.
Tudo começou em 2002. Lucrecia Tudor, mãe do Pe. Victor, que tinha então 71 anos, tinha um tumor no pulmão esquerdo. Os médicos romenos, após submetê-la a exames clínicos, disseram que lhe restavam poucos meses de vida.
Não se podia nem sequer tentar uma intervenção cirúrgica porque o tumor produziu metástase. O Pe. Victor pediu ajuda a seu irmão, Mariano Tudor, um jovem e reconhecido pintor romeno, especialista em iconografia, que vive e trabalha em Roma, esperando que conhecesse algum importante médico italiano, capaz de realizar o impossível.
Mariano contatou com um dos cirurgiões mais célebres do mundo, que havia operado inclusive Bill Gates. «Faça a sua mãe chegar a Roma e tentare i salvá-la», disse o professor.Mariano levou a sua mãe a Roma e o professor examinou o expediente clínico dos colegas romenos e realizou exames mais detalhados na paciente.
Mas também ele, ante o quadro clínico, disse que uma operação era já inútil. Podia-se intervir só com fármacos para sedar as dores que seriam fortes, sobretudo na fase terminal.Mariano ficou com sua mãe em Roma e a levava ao hospital para realizar controles. Estava trabalhando no mosaico de uma igreja e, como sua mãe não conhecia o italiano, ele a levava consigo. Enquanto ele trabalhava, sua mãe percorria a igreja, contemplando os quadros e as estátuas.Em um lugar, havia uma grande estátua do Padre Pio. Lucrecia ficou impressionada e perguntou a seu filho quem era. Mariano lhe relatou brevemente a história. Nos dias seguintes, e le percebeu que sua mãe passava todo o tempo sentada diante da imagem, com a qual conversava como se fosse uma pessoa viva.
Passados cerca de quinze dias, Mariano levou sua mãe ao hospital para o controle e os médicos constataram com estupor que o tumor havia desaparecido. A mulher, ortodoxa, pediu ajuda ao Padre Pio e este a havia escutado.
«A cura prodigiosa de minha mãe, realizada pelo Padre Pio a favor de uma mulher ortodoxa, me impressionou muito – relata o Pe. Victor. Comecei a ler a vida do santo italiano. Contei a meus paroquianos o que havia acontecido. Todos conheciam a minha mãe e todos sabiam que havia ido à Itália para tentar uma intervenção cirúrgica, e que depois havia voltado para casa curada sem que nenhum médico a tivesse operado. Em minha paróquia, começaram a conhecer e a amar o Padre Pio. Líamos tudo o que encontrávamos sobre ele. Sua santidade nos conquistava. Enquanto isso, também outros enfermos de minha paróquia receberam graças extraordinárias do Padre Pio. Entre minha gente se difundiu um grande entusiasmo e, pouco a pouco, decidimos tornar-nos católicos, para estar mais próximos dele.»
A passagem da Igreja Ortodoxa à Católica requereu um longo procedimento jurídico. E dificuldades de todo tipo, explica em seu artigo Renzo Allegri. Mas o Pe. Victor e seus paroquianos não se detiveram ante as dificuldades.
«Com a ajuda do Padre Pio – diz Allegri – seus projetos se tornaram realidade. E imediatamente começaram a recolher os fundos necessários para a construção de uma igreja para dedicá-la ao Padre Pio».
«Os fundos são o resultado das economias desta pobre gente, e da ajuda de alguns católicos alemães que souberam de nossa história», diz o Pe. Victor.
«E são meus paroquianos os que estão levando adiante as obras, trabalhando gratuitamente. Em maio, iniciamos as obras de fundação. Há alguns dias, celebramos solenemente a colocação da primeira pedra. E foi uma grande festa, porque quem veio para celebrar a cerimônia foi sua beatitude Lucian Muresan, arcebispo metropolitano de Fagaras e Alba Julia dos Romenos, ou seja, a máxima autoridade da Igreja greco-católica na Romênia. Ao acabar a cerimônia, o metropolita quis conhecer a minha mãe, curada por um milagre do Padre Pio, e tirou uma foto com ela.»
CURA E INCORRUPÇÃO
Santa Madre Cabrini
Santo:Santa Madre Cabrini Data:14 de março de 1921 Local:Hospital Columbus, de Nova York - EUATítulo :Transplante de olhos feito por Deus“Uma freira, Missionária do Sagrado Coração de Jesus, como enfermeira num Hospital, colocou num recém-nascido um remédio errado causando-lhe a cegueira. Os médicos nada puderam fazer.””A referida freira começou uma novena a Santa Francisca Xavier Cabrini, fundadomesmaCongregação, e os médicos constataram que os olhos do garoto estavam perfeitos, mas que não eram dele! Eram verdes e não tinham os caracteres dos pais do garoto!””Chamaram a freira e perguntaram-lhe o que havia acontecido, e ela falou da novena a Santa Francisca.””Depois de 50 anos da morte da santa, desenterraram-na e seu corpo estava intacto, faltando-lhe apenas os olhos, que não estavam na cavidade ocular. Verificaram que os olhos do referido menimo eram os da santa. O rapaz na ocasião já era formado de Medicina, mas da data do seu nascimento até o desenterramento da Santa haviam decorrido vinte e oito anos”.
A SEGUIR CONETÁRIOS DO PE. QUEVEDO EM SEU LIVRO OS MILAGRES E A CIÊNCIA:*** Pergunta: “Foi um transplante de olhos feito por Deus?”- Resposta: a pergunta parece simples, mas implica muitos aspectos, O conjunto é precisamente o que sistematicamente estamos abordando nos seis volumes desta coleção.
Que foi transplante é evidente, dado que os médicos verificaram que se deu sumiço dos olhos do menino e que foram substitruídos pelos olhos da santa.
Que foi milagre também é evidente. Uma coletânea de milagres. Milagre na cura da cegueira naturalmente irreparável do menino. Milagre na desaparição dos olhos do bebê. Milagre na incorrupção de Santa Francisca Xavier Cabrini. Milagre na revitalização dos olhos da santa, incorruptos mas completamente mortos após mais de vinte anos de enterrados. Milagre na implantação dos olhos revitalizados. E milagre na não-rejeição… E houve mais componentes deste complexo milagre, como logo veremos.
Não foi a santa que realizou o milagre. Não só a revitalização é exclusiva do Poder Infinito de Deus. Nenhuma outra força pode intervir no nosso mundo, o milagre é unicamente em ambiente religioso divino, o milagre é exclusivo de Deus, a assinatura infalsificável de Deus. Evidentemente, no caso, em honra e pela intercessão de Santa Francisca Xavier Cabrini.
A consulente não cita bibliografia. O caso é referido em quase todas as biografias da santa. Foi um dos milagres aprovados para a Beatificação da Madre Cabrini. Só me resta acrescentar alguns detalhes, servindo-me principalmente das atas do processo.
Foi no Hospital Columbus, de Nova York. A superiora e responsável pela direção geral do Hospital era a Madre Teresa Basigalupi. No processo a Madre Teresa omite o nome da Irmã encarregada da seção. O acidente aconteceu por volta do meio-dia de 14 de março de 1921. Assitiram ao parto o Dr. Michal Joseph Horan e a enfermeira Srta. Maria Redmond, que foi a que lavou os olhos do bebê com uma solução de nitrato de prata a 50 por cento, em vez de 1 por cento que seria o correto (uma gota de nitrato de prata a 5 por cento – e ao menino foi mais: a 50 por cento – perfura a madeira). O recém-nascido era Peter, filho primogênito do jovem casal Peter e Margaret Smith.
Quando uma hora mais tarde outra enfermeira, Srta. Sifert, acudiu apavorada pelo estado dos olhos do bebê, a Irmã responsável pela Seção compreendeu a tragédia que ocasionara ao fornecer por erro um vidro diferente do devido!
Acudiu o Dr. Paulo Casson. Os olhos do bebê estavam inflamados e pretos. Tão inchados que não se podiam abrir. Não teve dúvidas: o menino deveria morrer; e, se escapasse, certamente ficaria absolutamente cego.
Vendaram os olhos do bebê. Mas todos viam as faces avermelhadas, escuras. O interior do nariz e até os lábios viam-se queimaduras, e saía um líquido preto purulento. Queimadura de terceiro grau (queimadura de 1º: vermelhidão; de 2º grau: com bolhas; de 3º grau: com escaras, morte do tecido; 4º grau: carbonizado – as de 3º e 4º graus, se curadas, deixam inevitavelmente cicatrizes, que sendo nos olhos…).
Tosse frequente, respiração dificil, “pulsação tão fraca e tão rápida que não se podia contar, os tons cardíacos eram muito apagados, o ventre frouxo; pelo reto administrou-se ao bebê um pouco de água, dado que era impossível a alimentação oral”. “O diagnóstico foi: inflamação pulmonar bilateral”.
Temperatura retal, tomada a intervalos, das 13 as 20 horas, sempre 42,8 graus centígrados (tal temperatura pode aparecer em insolações, mas praticamente nunca em inflamações pulmonares, o que mostra a gravidade deste caso).
Às 21 horas o Dr. Horan voltou ao leito do bebê trazendo o especialista em oftalmologia Dr. Kearney, que só com ajuda de um instrumento próprio (Lindhbers) conseguiu abrir as pálpebras inchadas e coladas. A conjuntiva estava gravemente queimada. A córnea de ambos os olhos aparecia ensangüentada, e dos lugares queimados surgia uma secreção amarelo-acinzentada.
“Prognóstico: morte, e certamente em poucas horas” ( qualquer espécie de inflamação pulmonar em crianças desse tamanho é mortal quase em cem por cento dos casos).
As irmãs e as enfermeiras, nos horários em que não estivessem obrigadas a ficar junto aos doentes, reuniram-se na Capela e oraram durante toda a noite pedindo um milagre pela intercessão da Madre Fundadora, Francisca Xavier Cabrini. Sabiam que somente um milagre resolveria a situação do menino, do jovem casal e do próprio Hospital.
Chegou a manhã do dia 15. Pelas 9 horas o Dr. Horan voltou com o especialista Dr. Keaney, para ver se havia alguma possibilidade de atenuação do dano causado.E…
O Dr. Keaney não encontrou nada de errado no menino! Peter Smith “estava absolutamente bem”! “Não ficou traço algum de cicatriz apesar da queimadura profunda que houvera.” Os Drs. Horan, Casson e Keaney “reconheceram espantados que se havia dado um milagre“. “O menino deixou o hospital absolutamente curado e em estado normal.”
***O leitor terá notado um detalhe…”picante”. De todo o conjunto da desaparição dos olhos do cadáver incorrupto de Santa Francisca Xavier Cabrini e implantação nas órbitas do bebê Peter, fala-se nas biografias nem uma palavra no processo de canonização.
Os postulantes da beatificação queriam a aprovação de dois milagres. Um deles, complexo, era a liberação perfeita e instantânea da cegueira irreparável, da gravíssima doença e da morte eminente do recém-nascido Peter Smith, Para que complicar ainda mais com os outros milagres concomitantes – da substituição de olhos – perante um tribunal tão exigente como é o da Congregação dos Ritos? É lógico. E é muito bom que se tenha medo da severidade exigida pela Igreja ao julgar fatos milagrosos…
Na manhã de 7 de julho de 1946, Peter Smith, que já havia sido ordenado sacerdote na Igreja da “Mother Cabrini School” de Nova Iorque, assite à solene canonização de Santa Francisca Xavier Cabrini, por Pio XII. Estavam também presentes Paulo Pezzini e Ettore Pagetti, protagonistas das duas curas milagrosas aprovadas para a Canonização (as curas de Peter Smith e da religiosa Delfina Grazioli foram os milagres aprovados para a Beatificação).
Fonte:Os Milagres e a Ciência – Pe. Oscar G. Quevedo, SJ – pag. 341 – Edições Loyola – Ano 2000; Arquivos do CLAP, Seção “Fatos da Vida Real”, item “Milagres de Efeitos Mistos”, nº 71; Biografias da Santa: ONGARO, Guiseppe Dall, Francesca Cabrini, la suòra che conquistò l´America, Ed. Rusconi, 1982. GALILEA, Segundo, El Poder y la Fragilidad, Buenos Aires, Paulinas, 1992. BALANCIN, Euclídes Martins, O Poder e a Fragilidade, Vida de Santa Francisca Xavier Cabrini, São Paulo, Paulinas, 1994, pg. 251. ANÔNIMO, (”Por uma das suas filhas”), tradução de RODRIGUES, Ir. Lucia Victor, Santa Francisca Xavier Cabrini, Fundadora e Superiora Geral das Missionárias do Sagrado Coração de Jesus 2ª edição, São Paulo, Paulinas, 1993, pp. 393 s.; SACRA RITUUM. Op. Cit. “Positio super miraculis”, 1938, pp 205-229 Ibedem, “Summarium Additionale”, 1938, pp2-5. Para consultas dos processos, atas, positio, parecer dos peritos etc. cf. nota 15 do capítulo 3.
Tipo: CURA
Jack Traynor
Santo:Maria Santíssima Data:25 de Julho de 1923 Local: Lourdes – FrançaTítulo :Recuperação de Ossos e Desaparição de ChagasGRANDE INVÁLIDO INCURÁVEL. Foi na batalha diante de Anvers, durante a Preimeira Guerra Mundial. A armada inglesa retira-se em perfeita ordem, mas deixara em terra um batalhão de infantaria da marinha.
Jack Traynor tinha 24 anos quando, no dia 8 de outubro de 1914, caiu dessangrando-se. A metralha alcançara-o gravemente pelas costas. Um fragmento da metralha perfurou o crânio, deixando uma abertura entre dois e meio a três centímetros de diâmetro.
Quando a ambulância carregada de mortos e feridos chegou a Dunkerke, o médico que se inclinou sobre ele para certificar a defunção constatou que ainda respirava. Rapidamente atendido, quatro cirurgiões salvaram-lhe a vida, mas Traynor só recuperou a consciência cinco semanas mais tarde, inteirando-se então de que haviam conseguido tirar-lhe do cérebro um estilhaço de granada.
Dez meses depois, em abril de 1915, a necessidade de soldados faz que participe do assalto à fortaleza de Sébdul-Bar, em Egito. Mas uma rajada de metralhadora o alcança. Só será encontrado ao anoitecer, quando os padioleiros inspecionam o campo de batalha. Inconciente. Morimbundo. Perdera quase todo seu sangue. Duas balas no peito atravessaram os pulmões, uma raspando levemento o coração. Uma terceira bala alojou-se sob a clavícula após destruir o plexo nervoso braquial, que comanda os movimentos do braço direito.
O morimbundo foi transladado com todos os cuidados ao Hospital Geral de Alexandria. Nesse hospital tempo depois, o cirurgião pessoal do rei Eduardo VII, Dr. Sir Frederick Treves, de Londres, tentou inutilmente suturar os nervos destruídos, para evitar a paralisia certa do braço.
Sobre sua carne, seus nervos, seus ossos, foram exercidos em diversas oportunidades a sagacidade e habilidade dos mais notáveis médicos britânicos. Além do Dr. Frederick Treves, destacadamente durante o repatriamento à Inglaterra o Major Ross, de Edimburgo, médico-chefe do navio-hospital “Gurka”; e logo da sua chegada o Dr. Sanders, cirurgião do Hospital Militar de Portsmouth; os Drs. Montsarat e Mac Murray, de Liverpool. Mas, apesar de tantos esforços médicos e quatro operações cirurgicas, foi impossível evitar que ficasse, e anualmente confirmado, “grande inválido de guerra“.
Foi inútil uma quinta operação cirúrgica, e segunda trepanação, em 1920, para retirar possíveis lascas de osso e fragmentos restantes da granada, que poderiam ser – pensavam – causa da violenta epilepsia. As crises epiléticas continuaram, numa média de três por dia, às vezes seguidas de perda dos sentidos até por 12 horas.Foi-lhe assinado pensão de 140%, porque precisava dia e noite uma enfermeira.
Quatro anos depois do ferimento, as pernas só se mexem por movimentos convulsivos. Sete anos sem caminhar, ficando sempre em cama, terminou por perder a sensibilidade nas pernas. Perdeu também o controle para movê-las. Está esquelético.
Oito anos depois do ferimento, no dia 24 de julho de 1923, Jack Traynor não se apresenta ao médico chefe do Hospital de Incuráveis, de Mossley Hill, para a revisão anual obrigatória dos pensionados de guerra. É que no dia 22 Jack Traynor, desobedecendo todos os conselhos de médicos e familiares que temem que não resitirá a uma viagem de 1.600 quilômetros, fez-se levar a Lourdes.
Os Drs. Azurdia, Finn e Marley, da peregrinação de Liverpool, a duras penas consentiram em admiti-lo, em todo caso não sob a responsabilidade deles, e na viagem continuamente temem pela sua vida. O próprio Traynor dissera na véspera, ao sapateiro de quem comprou sapatos para a viagem: “Em poucos dias, talvez volte a ver você com esses sapatos nos meus pés…ou talvez, meu velho, nunca mais me verá”
A peregrinação chega a Lourdes no dia 23. No “Posto de Constatações Médicas” de Lourdes, onde os doentes devem ser examinados antes de irem às piscinas, o Dr. A. Vallet faz constar no seu relatório: “Este homem era, ele sozinho, um verdadeiro museu patológico(…): paralisia radial, média e cubital do braço direito, tendo em conseqüência atrofia de todos os músculos correspondentes, incluindo os das costas e peitorais: a mão balançando e em forma de garra; ferida no crânio, um pouco a direita da região fronto-parietal, interessando toda a espessura do osso e permitindo ver e perceber ao tato as pulsações subjacentes: paralisia parcial dos membros inferiores, com perda do controle vesical a ano-retal, e perda da sensibilidade: enfim, crises de epilepsia secundária, de origem traumática, repetindo-se até três vezes por dia; e em razão disso o doente era incessantemente levado a um hospital de incuráveis“.
O “Posto de Constatações Médicas” sabe que no caso de Traynor seriam necessárias ao menos três curas simultâneas de três doenças principais diferentes: epilepsia que durava oito anos, paralisia, e o aspecto agora frisando – abertura craniana. A epilepsia inveterada necessariamente se agrava de dia em dia. Em relação à paralisia, a cura implicaria assombrosas reedificações tissulares: regeneração, crescimento, acoplamento e solda dos nervos seccionados, de modo a permitir o retorno do influxo nervoso; para a reconstrução do parietal, afluxo de fosfato de cal no sangue e pelo osso na quantidade necessária. Tudo isso sem falar na síndrome de epilepsia, atrofia, debilidade… Também para os que acompanham Traynor, parecem muitos milagres juntos. Mas ele espera obtê-los por intercessão de Nosso Senhora de Lourdes!
O Dr. Vallet termina por ceder às súplicas de autorização para que os padioleiros submerjam Traynor no dia 24 numa das piscinas junto à gruta de Massabielle.Várias testemunhas deram conta do dramático espetáculo que Traynor deu, contorcendo-se e gritando de dor ao contato com a água gelada da piscina. Temendo que aquelas convulsões fossem uma nova crise de epilepsia, os padioleiros levaram-no imediatamente de volta ao hospital.
De tarde, estendido sobre sua padiola, Jack Traynor assiste à procissão. Naquela tarde do dia 25 de julho de 1923, é o Arcebispo de Reims que vai abençoando com o Santíssimo Sacramento cada doente.Chegou a vez de Jack Traynor… E cura instantânea e plena. Sente um bem-estar imenso. Levanta-se da sua padiola. E sai camnhando.
Noite calma. Por primeira vez sem crise nenhuma de epilepsia. Escreverá o mesmo Traynor: “Na manhã seguinte, literalmente pulei do meu leito! Lavei-me e fiz a barba sozinho! E saí do hospital sobre meus dois pés! Todos aqueles a quem me aproximava estendendo-lhes a mão, recuavam como se vissem um fantasma aparecendo diante deles“. Foi à gruta para agradecer a Nossa Senhora.
O “Posto de Constatações Médicas” constata que Traynor pode caminhar perfeitamente, que recuperou o uso e função do braço direito, como também a sensibilidade dos membros inferiores que o orifício do crânio está fechado, ficando “a marca” (típica de Lourdes): nota-se ao tato uma pequeníssima ondulação nas bordas do antigo orifício…A cura perfeita e instantânea é reconhecida em certificado médico assinado a 27 de julho pelo Dr. Vallet, do Próprio Posto de Lourdes; Drs. Azurdia, Finn e Marley, vindos na peregrinação de Liverpool; Dr. Harrington, de Preston (Inglaterra) e Dr. Moorkens, de Amberes (Bélgica), nesses dias pesquisando em Lourdes e que também verificaram tudo antes e depois da cura de Traynor.
Nos escassos 10 dias que a peregrinação de Liverpool ficou em Lourdes, a atrofia desapareceu completamente, Traynor recuperou todo seu peso, recuperou as forças correspondentes a um homem da sua idade, 32 anos.
As reações são muito diferentes:1) Já em Liverpool, Jack Traynor conscientemente apresentou-se às autoridades competentes para renunciar à sua pensão de inválido total e incurável de guerra. Mas… continuou durante toda a sua vida recebendo 140% de pensão, porque o Ministério das Pensões de Guerra, da Inglaterra, não aceita a cura de grande inválido incurável!
2) o “Posto de Constatações Médicas” de Lourdes, pelo contrário, no seu Boletim Oficial, a 2 de outubro de 1.926, garante que a cura instantânea, perfeita e permanente de Jack Traynor está “absolutamente além e acima das forças da natureza”.
3) As duas jovens protestantes, anglicanas, que acompanhavam Jack Traynor como enfermeiras na peregrinação e em Lourdes, converteram-se ao Catolicismo.
4) E as famílias das duas enfermeiras também passaram ao Catolicismo.
5) O pastor anglicano da Paróquia de ambas as jovens em Liverpool também se converteu ao Catolicismo e quis ser sacerdote católico (mas por estar casado e com filhos, a hierarquia católica considerou prematuro este seu desejo de exercer como sacerdote).
Etc.
Traynor depois da cura teve três filhos perfeitamente sadios. Em Liverpool trabalhou durante 20 anos como carregador de caminhão numa empresa de transporte de carvão. Três vezes por ano, durante 22 anos, Traynor voltou a Lourdes a trabalhar como um dos mais robustos padioleiros voluntários. Até sua morte em 1.943, com 64 anos de idade, vítima de pneumonia após uma hérnia, estrangulada por um violento esforço.
Fonte:Os Milagres e a Ciência – Pe. Oscar G. Quevedo, SJ – pag. 99- Edições Loyola – Ano 2000
Tipo: CURA
Pierre-Jacques De Rudder
Santo:Maria Santíssima Data: 7 de abril de 1875 Local: Oostakker-lez-Gand – BelgicaTítulo :Recuperação Instantânea de Ossos e de Tecidos da PernaO Santuário de Oostakker, na Flandres Oriental, é manifestação da devoção secular da Bélgica à Imaculada, já antes da proclamação do Dogma (em 8 de dezembro de 1854). Depois Oostakker foi chamada “Lourdes em Flandres”. Uma basílica com residência de jesuítas, encarregados de Santuário e de atender às procissões e peregrinações. É chamado Santuário das três Grutas: Massabielle (Lourdes) no centro, Belém à direita e da Ressurreição à esquerda. Também A(s) Grutas(s) das três fontes. Ali ocorreu o milagres da cura de Pierre De Rudder.
O Acidente – Pierre –Jacques De Rudder era de Jabbeke, na Flandres Ocidental. O sofrimento oprimia o pobre jardineiro. A morte levara a primeira esposa e filho, e do segundo matrimônio perdera sete dos nove filhos.
Em 16 de fevereiro de 1867, Pierre-Jacques De Rudder, de 44 anos, se deteve a conversar com dois conhecidos, os irmãos Knockaert, que estavam derrubando árvores perto do castelo de seus empregador, visconde de Bus. Ofereceu-se a ajudar. Estava tirando galhos de uma planta. Atrapalhava o trabalho dos dois irmãos uma árvore que caíra em lugar errado, que empurravam com alavancas. Mas a árvore escorregou. Caiu sobre Pierre De Rudder. Triturou a perna esquerda de um decímetro abaixo do joelho até o peito do pé inclusive. Tíbia e perônio, quebrados. Os ossos do terço superior da perna esquerda ficaram separados três centímetros dos correspondentes ossos dos dois terços inferiores. No processo consta o testemunho dos dois lenhadores.
Consta também o tetemunho do médico de Oudenbourg, dr. Affenaer, chamado pelo patrão de Pierre-Jacques, o visconde de Bus. O médico imobilizou a perna e manteve o conjunto com uma bandagem amidoada.
E as Irreparaveis Conseqüências – Várias semanas depois, ao retirar o aparelho imobilizador, porque o ferido sofria exacerbadamente, não houvera nenhum progresso. Pelo contrário: os fragmentos de ossos, desprovidos do seu periósteo, estavam banhados em pus. Chaga com longa ulceração, purulenta e gangrenada. Chaga também no peito do pé. O médico foi radical: retirou um seqüestro (fragmentos necrosados de osso). A perna balançava abaixo do joelho.
Pierre De Rudder ficou um ano na cama. Quando se levantou, só podia caminhar apoiando-se em duas muletas sem que de modo nenhum a perna doente tocasse no chão, pois a dor – como em outras muitas oportunidades – seria dilacerante.
O empregador, visconde Albérico de Bus de Gisignies, leva o manco aos melhores especialistas de Bruxelas, dentre eles ao famoso dr. Thiriart, cirurgião do rei da Bélgica; ao dr. Verriest, Presidente da Associação Médica de Bélgica, que introduziu no aparelho amidoado imobilizador uma abertura ao nível da chaga para que fossem mais simples os curativos e a limpeza do pus. E a utros médicos…
Não há possibilidade de recuperação, especialmente por falta de periósteo, do qual depende a formação do calo ósseo necessário. O balançamento da perna danificara e infeccionara cada dia mais a chaga purulenta, facilitando o necrosamento dos ossos nos extremos da fratura. os médicos com muita dificuldade conseguiam circunscrever a gangrena às chagas da perna. Todos os médicos citados depuseram no processo.
O doente tinha de lavar suas feridas duas ou três vezes por dia. Foram passando os meses, os anos, oito anos. Agora só amputando a perna à altura do joelho havia alguma possibilidade de salvar-lhe a vida. Poucas possibilidades. A amputação naquela época e na situação da perna, o tratamento e a assepia seriam muito difíceis… A amputação muito provavelmente só aceleraria a morte do miserável sofredor Pierre De Rudder.
No processo constatou-se que havia inumeráveis testemunhas. Médicos eparticulares.Médicos: destaquemos as freqüentes observações do dr. Van Hoestenberghe, que também teve de retirar vários seqüestros; o dr. Verriest o examinou quatro vezes em 1874, sete anos após o acidente, poucos meses antes que Pierre De Rudder fosse ao santuário de Na. Sra. de Lourdes em Oostakker. Uma semana antes da peregrinação, o dr. Houtsaegher examinou o doente, e concretamente destacou as observações do balanço desordenado da perna, inclusive ficando o calcanhar para a frente e os dedos para trás. Na véspera da viagem, o dr. De Visch faz constar no seu relatório as chagas purulentas e fétidas, uma mais profunda abaixo do joelho e outra mais extensa no peito do pé, como também o movimento de torção e o balançar da perna em todas as direções, podendo dobrar-se sobre si mesma.
Particulares: Jacques Van Hessche, empregado do visconde de Bus, que freqüentemente observou todos os detalhes da perna e que semanalmente levava a Pierre De Rudder a pensão que o visconde, seu ex-patrão, lhe assinara. Jacques de Fraye, que em 1874 constatou meticulosamente todas as afirmações a respeito, inclusive que Pierre de Rudder, levantando com as mãos o joelho esquerdo, fazia balançar a perna em todas as direções, e também, expressamente, que levantando a perna com uma mão, com a outra imprimia-lhe o movimento de torção até os dedos ficarem para tráz e o calcanhar para a frente. Com esses movimentos, freqüentemente esguichava pus. Enfim…, Jabbeke é uma vila onde todos se conhecem. Pierre De Rudder inclusive, precisamente pela sua angustiante situação, era conhecidíssimo. Inspirava a compaixão de todos. Tudo público e notório, constatadíssimo.
Oostakker alcançara muita fama pelos milagres de cura pela intercessão de Ns. Sra. de Lourdes, lá venerada. As curas prodigiosas começaram em 1874. Em 1876 o pe. Scheerlink já publicava 25 casos de curas extraordinarias. E dez anos mais tarde o pe. Denis publicava 49.
Dramática Peregrinação – Todos os médicos, como também o visconde Albéric de Bus – morrera um ano antes da peregrinação – e seu filho visconde Christian De Bus sempre desaconselharam e até ridicularizaram a pretensão de Pierre De Rudder de participar de uma peregrinação a Na. Sra. de Lourdes em Oostakker para pedir a cura. Só uma graciosa jovem, prima do jovem castelão de quem viria a ser esposa, indiretamente animava a Pierre De Rudder com um compreensivo sorriso.
Quando já vincondessa de Bus, no dia 5 de abril de 1875 chamou seu pobre ex-empregado. Queria, caridosa, ver o estado da perna. Escreve nas suas memórias: “Então ele tirou as faixas, todas empregnadas de pus e sangue. Insuportável odor se desprendia (…) As duas partes do osso quebrado transpassavam a pele e estavam separadas por uma chaga supurante de três centímetros de comprimento“.
Comovida, a viscondessa de Bus convenceu seu marido a possibilitar a viagem, não porque esperasse a cura, senão para proporcionar a tão sofredor doente um consolo espiritual, como ela mesma fará constar muito tempo depois, em 1904, na sua peregrinação ao Santuário de Lourdes, na França.
Na mesma semana anterior à peregrinação, o tanoeiro sr. Jean Houstsaegher, de Stalhide, viu como a perna de Pierre De Rudder se dobrava a tal ponto que apareciam as extremidades dos ossos quebrados.
Três dias antes da viagem, o sr. Louis Knockaert observou com muito detalhe e compaixão a perna de Pierre De Rudder. Dois dias antes da peregrinação, o sr. Auguste De Wulf, de Knocke-sur-Mer, ao voltar a Jabbeke, ansioso para rever seus antigos companheiros após uma ausência de 25 anos, observou a chaga aberta na perna de Pierre De Rudder, e inclusive introduziu nela o dedo comprovando a separação entre as extremidades do osso quebrado. Na tarde daquele mesmo dia, 5 de abril, a sra. Marie Wittezaele também assiste aos curativos e comprova toda a triste realidade.
Na véspera da peregrinação, de novo a sra. Marie Wittezaele, desta vez junto com o sr. Edouard Van Hooren e seu filho Jules que voltavam do trabalho no campo, viram a perna supurante. Viram como balançava. Observaram as extremidades do osso quebrado separadas entre si uns três centímetros e aparecendo na chaga. Verificaram que a chaga era “do tamanho aproximado de um ovo de galinha” e cheia pus. Sentiram o fedor. Viram como “a parte inferior da perna girava de forma que o calcanhar ficava quase plenamente na frente“…
No dia da peregrinação a Oostakker, 7 de abril, oito anos e dois meses após a fratura, o quarda-barreira Pierre Blomme o acolhera na sua casa, para que descansasse um pouco do seu esgotamento. Porque Pierre De Rudder, da sua casa à estação do trem, teve de caminhar duas horas, apoiado nas suas muletas e ajudado pela esposa, para percorrer somente dois quilômetros e meio. O sr. Blomme viu o balançar da perna nua, sentiu o cheiro fétido das chagas purulentas e da gangrena, etc.
Outro guarda-barreira, sr. Balthazar De Jaegher, que como todos conhecia muito bem a Pierre De Rudder, ajudou-o a subir no trem às 6 da manhã de 7 de abril de 1875, e viu, uma vez mais, a perna balançando.
Testemunhos do chefe da estação, sr. De Cuyper, que como todos conhecia muito bem Pierre De Rudder. Dos companheiros de viagem. Sentou-se no trem junto a Jeam Duclos e sua mãe. Todos, mais uma vez, viram dona Colete, a esposa de Pierre De Rudder, ajudando-lhe a trocar as bandagens, e observaram a horrorosa situação da perna.
Em Gand-Sud, Pierre De Rudder, tem de ir de carro puxado a cavalo. O carreteiro debochou do balançar da perna: “Eis aí um que vai perder a perna“, mas o deboche torna-se um misto de indignação e compaixão quando vê o pus e o sangue escorrendo sobre a carruagem.
E em Anvers o encarregado do ônibus até Oostakker, sr. Louis Van Hulle, ajuda o doente a colocar-se deitado ao longo de um banco, e constata a dificuldade insuperável que Pierre De Rudder tem em manejar sua perna “flexivel”.
Por fim, em Oostakker – Há que caminhar um pouco. No caminho, detém-se para descansar e reza fervorosamente perante o Crucificado no velho Calvário. Está esgotado. Sua mulher, Colete, oferece-lhe um pouco de água que acaba de pegar na fonte da gruta, para reanimá-lo e possibilitar-lhe dar mais uns poucos passos.
Dia 7 de abril de 1875. Em Jabbeke, após a saída dos seus pais em peregrinação, a jovensinha Sylvie, de 14 anos, que fica cuidando da casa e do irmão pequeno, Augusto, de 4 anos, mantém aceso um círio perante a imagem de Sma. Virgem.
Pierre Jacques De Rudder está agora diante da gruta de Na. Sra. de Lourdes em Oostakker-lez-Gand. Reza. Quase chora. Confia muito filialmente na Mão Celeste. Segundo o costume quer dar três voltas ao redor do montículo da gruta. O esforço é extraordinário. Já deu duas voltas, apoiado penosamente nas muletas, e amparado pela esposa Colete e por um desconhecido caridoso. E não consegue mais. Consumido pela fadiga extrema, desiste. Deixa-se cair sobre um banco. Reza. Expectativa. Sorrisos irônicos de uns. Lágrimas de compaixão de outros.
E… Pierre De Rudder se levanta, caminha sem muletas entre os bancos dos peregrinos até o pé da imagem de Nosso Senhora, se ajoelha. Só então percebe que caminhara até lá, só então percebe o instantâneo desaparecimento da gangrena, da supuração… Instantânea recuperação dos ossos, da carne… E das forças. Pula, dança, corre cheio de alegria e agradecimento. A esposa cai quase desmaiada de emoção.
IMPOSSÍVEL? TALVEZ NÃO – Imediata constação médica. Em companhia da esposa e de várias testemunhas, Pierre De Rudder vai ao vizinho castelo da Marquesa Alph. de Courbourne, dona da gruta, construída às expensas do seu pai. No castelo os médicos tocam, examinam… Médicos e particulares, todos constatam sob as duas cicatrizes – que Pierre De Rudder conservará toda a vida – e testemunham “o fato da cura de Pierre De Rudder, (que) não pode ser verdadeiro”!
No dia seguinte e no outro e no outro… todos os médicos que antes examinaram e trataram do doente agora vêem e tocam “o fato da cura…”
Em Jabbeke, o dr. Affenaert, na casa do sr. Charles Rosseel, examina a perna de Pierre De Rudder tanto mais meticulosamente, quanto mais resiste a acreditar na cura daquela perna quebrada. Todo o conhecimento do médico é que “foi quebrado por encontrar a face interna da tíbia inteiramente lisa à altura da fratura” antes tão conhecida. Por fim tem de reconhecer: “Você está inteiramente curado. Sua perna há sido fortemente consolidada. Ela está como a de uma criança, e não como a de um homem cuja perna há estado quebrada. Os meios humanos eram impotentes a permitir-lhe caminhar; mas o que não podiam fazer os médicos pôde Maria“.
MAIS TESTEMUNHOS: Em toda a cidade, invencível curiosidade e emoção. O pároco, Pe. Slock, celebrou uma novena de Missas cantadas em ação de graças. A igreja ficou cheia naqueles nove dias. Contavam-se 500 participantes numa população de 2.000 pessoas.
O Pe. Alfred Deschamp, jesuíta e doutor em medicina, recolherá inúmeros testemunhos no seu inquérito. O próprio Sr. bispo de Bruges, Mons. Faict, em 12 de abril, isto é, cinco dias depois do milagre, passa por Jabbeke e examina em companhia do pároco a perna milagrosamente curada.
“Após sua cura -diz a viscondessa De Bus- nós o conservamos quinze anos como trabalhador” rude e sólido, a quem era preciso mandar que moderasse sua atividade e total dedicação, “e o encontrávamos quase sempre rezando seu terço. Ele edificava a todos”. Com a autorização da viscondessa De Bus, Pierre De Rudder, aproveitando os dias de folga, realizou alegremente quase quatrocentas peregrinações a Oostakker para agradecer sua cura a Deus e a Nossa Senhora.
“O fato da cura de Pierre De Rudder…” continuou sendo verificado durante muitos anos.Novas constatações, 18 e 19 anos depois da cura, foram realizadas pelo Dr. Royer, de Lens-Saint-Rémy, e pelos especialistas Drs. Clement De Piquet, da Áustria, e Van Ysendyck, da Bélgica. “Não pode ser verdadeiro“, mas é. Indiscutivelmente. Os três constatam que “a tíbia da perna esquerda (a que havia sido quebrada) apresenta uma face interna tão lisa como a da direita, sem calo, sem a menor diferença, sendo que na crista (na parte externa) apresenta uma muito ligeira depressão ao nível da cicatriz”, “uma depressão redonda, do tamanho de uma moeda (…), onde estava a fratura”.
“A MARCA” – Pierre De Rudder atendeu inclusive ao chamamento feito pelos médicos de Lourdes, agora Lourdes da França. E descobriram “a marca” (ou 4 marcas), essa espécie de rubrica que sempre é posta nos milagres de Lourdes para a verificação posterior:
1) Pierre De Rudder não recuperou o tendão do polegar do pé, mas apesar disso o polegar funcionava perfeitamente!
2) A perna esquerda ficou exatamente do mesmo tamanho que a direita, apesar do seqüestro de quatro centímetros de osso que o médico retirara quando do primeiro atendimento ao acidentado, apesar dos pedaços de osso necrosado que o médico retirou várias vezes, apesar da parte do osso que o acidente triturara e que ficou sem periósteo, apesar dos pedaços de osso que se perderam por supuração, apesar da grandíssima surpresa que se reservava para 22 anos depois…
3) Na época da cura de Pierre De Rudder não podia haver verificação por radiografia, que não existia então. Mas 22 anos mais tarde, em 16 de junho de 1897, por iniciativa do Pe. Callewaert, reitor do Seminário Maior de Bruges, foi realizada pelo Dr. Seligmann, professor do Ateneo Real. E descobriram outra “marca”: os ossos haviam soldado justapostos. Na extensão de um decímetro os ossos da tíbia e do perônio estavam justapostos no sentido antero-posterior. Os ossos superiores estavam na frente. Apesar disso a perna tinha exatamente o mesmo tamanho e a mesma verticalidade que a perna direita! Pierre De Rudder absolutamente não mancava.
4) E ainda mais outra “marca”: Em qualquer restauração natural de fratura de ossos, o cálcio vai lentamente formando um calo ósseo, até juntar após muito tempo os fragmentos. No caso de Pierre De Rudder os fragmentos soldaram-se diretamente um ao outro, sem o calo ósseo característico.
NÃO DÁ PARA ACREDITAR… No dia 22 de março de 1898, aos 75 anos de idade, 23 anos após a cura milagrosa, Pierre De Rudder morre de pneumonia. É enterrado no cemitério junto a igreja. Colocaram lá um grande crucifixo de ferro forjado com uma inscrição que alude ao grande milagre de que toda a cidade era testemunha.
E continuaram as verificações: no dia 24 de maio de 1899, um ano após sua morte, exumaram o esqueleto e retiraram os ossos das duas pernas para submetê-los à mais exaustiva análise. O próprio dr. Hoestenberghe fez a necrópsia. Verificaram que os ossos da tíbia e do perônio consolidaram-se justapostos:” estando desviados (…), sem ajustamento das suas partes fragmentadas, as substâncias lisas e sem perdas de susbtância ósseas. Verdadeiramente a virgem de Oostakker havia posto sua assinatura (”a marca”!) sobre este osso”. E necessáriamente pela análise, os ossos tiveram de consolidar de modo instantâneo.
Posteriormente, treze anos após a morte de Pierre De Rudder, o dr. Léon Reverchon, professor na Faculdade de Medicina de Life, com a colaboração do dr. Glorieus, de Bruges, sobre os ossos das pernas de Pierre De Rudder, que se conservam, até hoje, na Cúria do Bispado de Bruges, tira cinco filmes radiológicos, bem detalhados, que mostraram que a solidificação foi instatânea e perfeita, e com a mesma estrutura óssea que a da outra perna.
Nova análise radiográfica em 1951, pelo prof. dr. L. Elaut, confirmando plenamente as verificações anteriores.
A Comissão Médica de Life, reunindo mais de cem médicos sob a presidência do dr. Suret, declara: “Com certeza, De Rudder foi curado instantâneamente de uma fratuta supurada; a reparação óssea, revelada pela autópsia, não pode ter sido feita por meios naturais”.
Em 25 de julho de 1908 foi dado o veredicto da Comissão Canônica nomeada e com a assinatura de mons. G.J. Vaffelaert, bispo de Bruges. “Considerando que a explicação natural da cura instantânea de uma lesão orgânica tão grave é impossível, porque o trabalho biológico da regeneração dos novos tecidos, necessários à consolidação de uma fratura, exige absolutamente um lapso de tempo apreciável; considerando que, pelo mesmo motivo, é impossível explicar só pelas forças da natureza a cicatrização instantânea de uma ulceração profunda e grangrenada, considerando que essa explicação natural é impossível ainda mais por tratar neste caso de uma fratura de oito anos, completa e com complicações, com seqüestro consideravel de fragmentos, que é curada com recuperação instantânea e durável da função do membro, sem calo, sem encolhimento, sem desvio (da verticalidade geral da perna) (…), nós julgamos e declaramos que a cura de Pierre de Rudder, acontecida em Oostakker em 7 de abril de 1875, é milagrosa e deve ser atribuída a uma especial intervenção de Deus obtida por intercessão da Santíssima Virgem Maria“.
…MAS HÁ QUE AVREDITAR – Imediatamente a cura, a primeira reação. Refere a viscondessa de Bus: Em Bruxelas “estávamos á mesa quando pelas duas horas recebemos uma mensagem de um de nossos caseiros (Auguste Stubbe) comunicando a milagrosa cura. Lendo o aviso, o visconde de Bus ficou muito comovido, e disse: “Eu não acreditei jamais nos milagres, mas se de De Rudder está curado, é um verdadeiro milagre e eu crerei“. O senador visconde Christiam De Bus, até então liberal (chamava-se liberal ao partido anticatólico) converteu-se ao catolicismo e reconheceu publicamente que toda a vida estivera errado.
Termina o relatório do dr. Affenaert: “O que não podiam fazer os médicos, pôde Maria. Vendo tal prodígio eu, que era incrédulo, percebo que passo a acreditar“.O dr. Van Hoestenberghe escreveu referindo-se ao famoso romancista e “liberal” Emile Zola, que debochava dos milagres de Lourdes: “Eu era um incrédulo, como o senhor. O milagre em De Rudder abriu-me os olhos, até então fechado à luz(…) Eu declaro ao senhor sob minha honra, eu não tenho a menor dúvida, eu creio absolutamente”.
Como outros vários médicos que antes eram espiritualmente cegos. Aos médicos podemos acrescentar o sr. Trapeniers, escolhido pelo dr. Royers para colaborar na sua pesquisa precisamente porque até então se declarava “liberal”, e que com a realização do inquérito terminou convertendo-se lealmente ao catolicismo.
E não-médicos: Destacava-se em Jabbeke, precisamente por seu convicto proclamado ateísmo, o sr. De Weisch. Vendo e apalpando a cura milagrosa de Pierre De Rudder, declarou que “a incredulidade é impossível(…), é necessário aceitar os ensinamentos da Igreja”, e de fato dali em diante procedeu sempre como verdadeiro e autêntico católico.
O mesmo aconteceu com o encarregado do ônibus de Grand a Oostakker: sempre se declarara, perante os peregrinos que transportava, um cético em religião; mas, vendo que o doente da perna quebrada, que ele mesmo carregara, uma hora mais tarde estava perfeitamente curado, declarou-se católico e assim permaneceu.
Vinte anos mais tarde perguntaram ao pároco de Jabbeke se havia na cidade algum incrédulo ou ao menos alguém que não praticasse a religião. Repondeu: “Não, não há nenhum atualmente”.
Tipo: CURASanto:Maria Santíssima Data:Março de 1858 Local: Lourdes – FrançaTítulo :Cura Instantânea do Olho de Louiz Bouriette
No dia 2 de fevereiro de 1858, o velho Louiz Bouriette trabalha como empreiteiro numa pedreira, na comarca da própria Lourdes. Acidentalmente, por uma explosão, perde o olho direiro. Perda total da substância do olho. Lesões profundas ao redor.
Sem dúvidas impressionado pelo surgimento da água que brotava no dia anterior, até hoje, junto à gruta de Massabielle, Louiz Bouriette estava convencido de que aquela água seria sinal de curas milagrosas e que Nossa Senhora alcançaria precisamente a recuperação do olho que ele havia perdido um mês antes. Pediu à filha que lhe trouxesse um pouco daquela água.
A filha trouxe-lhe àgua ainda turva. Louiz Bouriette com ajuda da filha banhou o local onde estivera seu olho direito… E o recuperou instantâneamente!E a “marca”, tão típica da griffe Lourdes: “Alias, a cura milagrosa não havia feito desaparecer (completamente) os sinais profundos, nem as cicatrizes (antes) terríveis ocasionadas pelo acidente, de modo que todos podiam verificar o milagre” naqueles restos ou “marca.
Fonte:Os Milagres e a Ciência – Pe. Oscar G. Quevedo, SJ – pag. 340 – Edições Loyola – Ano 2000; Lassere, Henri, Notre-Dame, Paris, 1869. Tradução de Melgar, Francisco, “Nuestra Señora de Lourdes”, Madrid Librería de D. Miguel Olamendi, s.d.
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